Neste artigo
- O que é o Simples Nacional e por que ele é o regime mais comum?
- Qual o limite de faturamento do Simples Nacional?
- Quanto o e-commerce paga de imposto no Simples?
- Qual o erro mais comum que faz o seller pagar imposto errado?
- O que a reforma tributária muda em 2026 pra quem é do Simples?
- Preciso de contabilidade completa mesmo estando no Simples?
- Quanto uma loja paga de Simples num mês? Um exemplo com números
- Simples Nacional ou Lucro Presumido: quando migrar?
- Como a You cuida do seu enquadramento no Simples?
O que é o Simples Nacional e por que ele é o regime mais comum?
O Simples Nacional é um regime tributário que junta tributos federais, estaduais e municipais num pagamento só, o DAS. Foi criado pra micro e pequena empresa, e costuma ser o caminho natural de quem cresceu além do MEI e continua com faturamento dentro do teto do regime, sem precisar de uma estrutura contábil muito mais complexa. A base legal é a Lei Complementar 123/2006.
Pra quem vende em marketplace, o Simples costuma ser o regime mais comum justamente porque cobre uma faixa ampla de faturamento, do pequeno seller que acabou de sair do MEI até uma operação de e-commerce já bem estruturada, com vendas em vários canais ao mesmo tempo.
Qual o limite de faturamento do Simples Nacional?
- Teto: R$ 4.800.000 por ano de faturamento.
- Sublimite de ICMS/ISS: R$ 3.600.000 por ano. Acima do sublimite, o ICMS passa a ser recolhido fora do DAS, direto pro estado, mesmo a empresa continuando no Simples pros tributos federais. Esse sublimite foi mantido para 2026.
Quanto o e-commerce paga de imposto no Simples?
Comércio, que é a revenda de produtos e o caso da maioria dos sellers, entra no Anexo I da LC 123/2006. A alíquota:
- Começa em 4% na primeira faixa, pra faturamento de até R$ 180.000 acumulados nos últimos 12 meses.
- Sobe por faixa conforme o faturamento acumulado cresce: 7,3%, 9,5%, 10,7% e 14,3% nas faixas intermediárias, até 19% na última faixa da tabela (de R$ 3.600.000,01 a R$ 4.800.000).
A alíquota efetiva que você realmente paga é menor que a alíquota nominal nas faixas mais altas, por causa da parcela a deduzir prevista na lei. O cálculo exato é trabalho do contador, mas a lógica geral é simples: quanto mais você fatura no acumulado de 12 meses, maior tende a ser a sua faixa.
Esse detalhe da parcela a deduzir costuma ser ignorado por quem calcula o próprio imposto sem apoio contábil. O resultado é uma estimativa de carga mais pesada do que a real, e decisões de preço baseadas num número errado.
Qual o erro mais comum que faz o seller pagar imposto errado?
No Simples Nacional, o imposto incide sobre a receita bruta, que é o valor total da venda, conforme a LC 123/2006, art. 3º. A comissão do marketplace não reduz essa base de cálculo.
Atenção
Muita loja calcula o imposto sobre o valor que efetivamente caiu na conta, já líquido da comissão, e erra pra menos, ficando exposta numa eventual revisão da apuração. A regra de ouro é sempre a mesma: imposto sobre o valor total da venda, nunca sobre o valor líquido depois da tarifa.
O que a reforma tributária muda em 2026 pra quem é do Simples?
2026 é um ano de transição pra reforma tributária. Ela criou dois novos tributos, a CBS, de competência federal, e o IBS, de estados e municípios, que vão substituir PIS, Cofins, ICMS e ISS ao longo dos próximos anos. Em 2026, estamos na fase de teste, com alíquotas simbólicas, de 0,9% pra CBS e 0,1% pra IBS, que na prática tendem a funcionar como obrigação acessória, não como cobrança cheia, conforme a Câmara dos Deputados.
Pra empresa do Simples Nacional, o que vem por aí é uma escolha: seguir recolhendo tudo dentro do DAS, ou adotar o regime regular da CBS/IBS pra gerar crédito tributário em determinadas operações. É uma decisão que vale revisar com o contador ano a ano, conforme a reforma avança. Nada disso muda o que você paga hoje, mas já vale ter esse cenário no radar.
O motivo pra revisar ano a ano, e não só uma vez, é que a reforma tributária ainda está em fase de regulamentação de vários detalhes, e as alíquotas simbólicas de 2026 tendem a subir gradualmente nos anos seguintes, conforme o cronograma de transição avança até a substituição completa dos tributos antigos.
Quer ter certeza de que está no anexo e na faixa certos do Simples Nacional? A You revisa seu enquadramento e já te prepara pras mudanças da reforma.
Falar sobre planejamento tributárioPreciso de contabilidade completa mesmo estando no Simples?
Muita gente acha que o Simples Nacional dispensa contabilidade organizada, justamente por reunir vários tributos numa guia só. Não é bem assim. A simplificação do Simples é no recolhimento do imposto, não na gestão fiscal e contábil do negócio por trás dele.
Quem vende online no Simples ainda precisa manter o cadastro fiscal dos produtos correto, emitir nota certa a cada venda, segregar receitas quando aplicável, e acompanhar o faturamento acumulado dos últimos 12 meses pra saber em qual faixa está. Tudo isso exige acompanhamento contábil real, mesmo que a burocracia visível seja menor do que em outros regimes. Negligenciar essa parte é um dos motivos mais comuns pelos quais um seller do Simples acaba pagando imposto errado sem perceber, durante meses seguidos, até que uma revisão contábil identifique o problema.
Quanto uma loja paga de Simples num mês? Um exemplo com números
Sua loja faturou R$ 150.000 nos últimos 12 meses, dentro da primeira faixa do Anexo I. No mês em questão, você vendeu R$ 12.000.
Na prática
O imposto do mês, no Simples Nacional, é calculado sobre esses R$ 12.000, à alíquota da sua faixa, 4% na primeira faixa, o que dá R$ 480, tudo numa guia só, o DAS, sem precisar recolher o ICMS separadamente, já que você está abaixo do sublimite de R$ 3.600.000.
Simples Nacional ou Lucro Presumido: quando migrar?
Migrar do Simples pro Lucro Presumido raramente se resume a "qual regime é melhor": a pergunta certa é em que ponto do crescimento a conta deixa de fechar no Simples.
| Fator | Favorece o Simples | Favorece revisar o Presumido |
|---|---|---|
| Faturamento acumulado | Bem abaixo do teto de R$ 4,8 milhões | Perto do teto ou já acima do sublimite de ICMS |
| Margem de lucro | Margem mediana, típica de revenda | Margem muito alta ou muito baixa, dependendo da atividade |
| Complexidade da folha | Poucos funcionários | Estrutura maior de folha e departamento pessoal |
Arraste a tabela para o lado para ver tudo.
Detalhamos esse comparativo com mais profundidade em como escolher entre Simples, Presumido ou Real pra loja virtual.
Como a You cuida do seu enquadramento no Simples?
Um cuidado que faz diferença no dia a dia é revisar o enquadramento sempre que o negócio muda de patamar, não só uma vez no começo. Loja que passa a vender produto novo, entra em outro marketplace ou começa a vender pra fora do estado precisa ter esse enquadramento revisado, porque cada mudança pode alterar a forma como o imposto é calculado.
A You enquadra você no regime certo, calcula seu DAS considerando as regras específicas de marketplace, e já prepara sua empresa pras mudanças graduais da reforma tributária. A gente atende mais de 3.000 vendedores, então conhece de perto a operação de quem vende online de verdade, desde quem está começando no Anexo I até quem já flerta com o sublimite de faturamento e precisa avaliar a migração pra outro regime.
Veja também como funciona a abertura de empresa e a escolha de regime com a You, e a contabilidade para e-commerce no dia a dia. No blog, complementam esse tema quando sair do MEI e os sinais de que sua empresa paga imposto demais. Quer descobrir seu melhor regime? Fale com a You.
Na maioria dos casos sim, desde que o faturamento e a atividade se encaixem nos limites do regime. Algumas atividades específicas têm restrições próprias, que devem ser conferidas com o contador antes de formalizar a opção.
Você continua no Simples Nacional pros tributos federais, mas passa a recolher o ICMS (ou ISS) diretamente pro estado ou município, fora do DAS, seguindo a tabela normal daquele imposto.
Sim, atividades de serviço costumam entrar em anexos diferentes do Anexo I (comércio), com alíquotas próprias. Se você vende produto e presta serviço na mesma empresa, o enquadramento correto exige atenção redobrada.
Não. O Simples Nacional continua existindo dentro da reforma, com regras próprias de transição pra CBS e IBS. O que muda é a forma como esses novos tributos convivem com o regime, não o regime em si.
A faixa é definida pelo faturamento acumulado nos últimos 12 meses, não pelo faturamento de um mês isolado nem pela média simples do ano. Esse cálculo é feito automaticamente no momento da apuração do DAS, mas vale acompanhar de perto o próprio faturamento pra não ter surpresa quando a faixa mudar.
Fontes oficiais (consulta em 23/09/2026)
- Limites, Anexo I e conceito de receita bruta: Lei Complementar nº 123/2006 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm
- Sublimite e tabela do Anexo I: Portal do Simples Nacional https://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/
- Reforma tributária, fase de teste em 2026 (CBS 0,9% e IBS 0,1%): Câmara dos Deputados https://www.camara.leg.br/noticias/1074940-secretario-da-reforma-tributaria-detalha-transicao-a-deputados-e-diz-que-2026-sera-periodo-de-teste/
- Base legal da reforma: Emenda Constitucional 132/2023 e Lei Complementar 214/2025.