Neste artigo
- Por que ficar de olho no teto do MEI é tão importante?
- Qual o teto de faturamento do MEI hoje?
- Quais são os sinais de que é hora de sair do MEI?
- O que acontece se eu estourar o teto sem perceber?
- Como calcular certo o faturamento acumulado do MEI?
- Pra onde eu vou quando saio do MEI?
- Como fica isso na prática? Um exemplo com números
- MEI ou ME: o que muda de verdade no dia a dia?
- Como a You conduz a transição do MEI pra ME?
Por que ficar de olho no teto do MEI é tão importante?
Sair do MEI na hora certa é uma decisão que, quando bem feita, custa pouco e é tranquila. Quando mal feita, ou simplesmente ignorada, pode gerar cobrança retroativa sobre o faturamento do ano inteiro. A diferença entre esses dois cenários é, na prática, acompanhar o próprio faturamento mês a mês e agir antes de estourar o teto, não depois.
Esse tipo de decisão costuma pegar de surpresa justamente quem está vendendo bem, porque o crescimento das vendas em datas de pico, como Black Friday ou Dia das Crianças, pode empurrar o faturamento acumulado do ano pra perto do limite muito mais rápido do que o esperado.
Qual o teto de faturamento do MEI hoje?
O teto vigente é de R$ 81.000 por ano, o que dá uma média de R$ 6.750 por mês, considerando um faturamento estável ao longo de todo o ano. Existem projetos no Congresso pra aumentar esse valor, como o PLP 67/2025 e o PLP 60/2025, mas nenhum foi aprovado até a data de consulta deste artigo. Enquanto isso, o limite continua sendo R$ 81.000, e não vale planejar o próprio ano fiscal contando com um aumento que ainda não virou lei.
Quais são os sinais de que é hora de sair do MEI?
- Seu faturamento anual já passou ou está encostando em R$ 81.000. Esse é o sinal número um, e o mais urgente.
- Você precisa contratar mais de um funcionário, porque o MEI só permite 1 empregado, com salário mínimo ou piso da categoria.
- Você quer vender itens ou prestar serviços que o MEI não permite na ocupação cadastrada (veja como funciona a ocupação do MEI na Shopee).
- Você quer ter sócio no negócio, algo que o MEI não permite de forma alguma.
- Grandes clientes PJ pedem uma estrutura de empresa maior pra fechar contrato com você.
Nenhum desses sinais, isoladamente, obriga a sair do MEI de um dia pro outro, mas quanto mais deles aparecem ao mesmo tempo, mais urgente fica planejar a migração com antecedência, em vez de esperar o teto estourar sozinho.
O que acontece se eu estourar o teto sem perceber?
Aqui está a parte que dói pra quem não age a tempo. A regra depende de quanto você passou do limite:
- Estourou até 20% do teto (faturou entre R$ 81.000,01 e R$ 97.200,00 no ano): você segue como MEI até dezembro, paga um DAS complementar sobre o excesso, e vira Microempresa (ME) no Simples a partir de 1º de janeiro do ano seguinte.
- Estourou mais de 20% (passou de R$ 97.200,00): o desenquadramento é retroativo ao início do ano em que você estourou. Você passa a recolher como ME sobre todo o faturamento do ano inteiro, com os acréscimos correspondentes.
Atenção
O cenário retroativo é o que mais pega quem não acompanha o próprio faturamento. Nele, o imposto do ano inteiro é recalculado como ME, de uma vez só, com juros e multa sobre a diferença. Monitorar o faturamento mensalmente é a forma mais simples de evitar esse cenário.
Como calcular certo o faturamento acumulado do MEI?
O teto do MEI é sempre medido pelo faturamento acumulado no ano-calendário (janeiro a dezembro), não por uma média de 12 meses rolantes como acontece em outros pontos do Simples Nacional. Isso muda a forma de acompanhar o número: o que importa é a soma de tudo que entrou de janeiro até o mês atual daquele mesmo ano, e não um período móvel qualquer.
Um erro comum é somar só o valor líquido que caiu na conta depois das tarifas do marketplace, esquecendo que o faturamento considerado é o valor total das vendas, antes de qualquer desconto de comissão ou frete. Quem soma apenas o líquido corre o risco de achar que ainda está longe do teto quando, na verdade, já está muito perto ou já passou dele.
- Some o valor bruto de todas as notas emitidas no ano-calendário, não o valor líquido recebido.
- Inclua vendas de todos os canais: marketplace, loja própria e qualquer outro ponto de venda.
- Refaça essa conta pelo menos uma vez por mês, não só no fim do ano.
- No primeiro ano de MEI, lembre que o teto é proporcional aos meses de atividade, não o valor cheio de R$ 81.000.
Pra onde eu vou quando saio do MEI?
Na maioria dos casos, o destino é o Simples Nacional como Microempresa. No comércio, o imposto começa em 4% sobre a venda, no Anexo I da LC 123/2006. Se você abre sem sócio, os formatos disponíveis costumam ser o Empresário Individual (EI) ou a Sociedade Limitada Unipessoal (SLU), essa última com proteção do seu patrimônio pessoal em relação às dívidas da empresa. O contador indica o formato mais adequado pro seu caso específico.
Essa escolha de formato societário não é só uma formalidade de registro: ela define, entre outras coisas, se o seu patrimônio pessoal fica exposto em caso de dívida da empresa, e como fica a sucessão do negócio caso você queira, no futuro, trazer um sócio pra dentro da operação.
Está perto do teto e não sabe se já é hora de migrar? A You monitora seu faturamento e conduz a transição em paralelo, pra sua operação seguir normalmente.
Falar sobre contabilidade para MEIComo fica isso na prática? Um exemplo com números
Você fatura R$ 7.000 por mês, o que dá R$ 84.000 no ano. Você já estourou o teto, mas em menos de 20% dele.
Na prática
Se você agir agora, paga o DAS complementar sobre o excesso e migra tranquilo pro Simples Nacional em janeiro do ano seguinte. Se ignorar o problema e fechar o ano em R$ 100.000, o desenquadramento vira retroativo, e o imposto do ano inteiro é recalculado como ME, com acréscimos. A diferença entre agir e não agir, nesse caso, é literalmente dinheiro que fica ou não no seu bolso.
MEI ou ME: o que muda de verdade no dia a dia?
| Aspecto | MEI | ME (Simples Nacional) |
|---|---|---|
| Sócio | Não permite | Permite (ou EI/SLU sem sócio) |
| Funcionários | No máximo 1 | Sem esse limite específico |
| Contabilidade | Simplificada, poucas obrigações | Contabilidade regular, com contador |
| Imposto | Valor fixo mensal | Percentual sobre a venda, por faixa |
Arraste a tabela para o lado para ver tudo.
Como a You conduz a transição do MEI pra ME?
Um cuidado que faz diferença nessa transição é o timing: migrar no meio de uma campanha grande, como Black Friday, pode gerar dor de cabeça operacional desnecessária. Sempre que possível, a You planeja a mudança pra um período de vendas mais tranquilo, com toda a documentação pronta antes de qualquer data importante do calendário do e-commerce.
Um contador especializado em e-commerce da You monitora seu faturamento acumulado, avisa antes de você chegar perto do teto e conduz a transição do MEI pra ME em paralelo, no regime mais adequado pro seu caso, dentro da lei. Isso inclui organizar a documentação da nova empresa, ajustar o cadastro fiscal nas plataformas de venda e acompanhar a emissão de nota durante toda a mudança, pra reduzir o risco de interrupção que afete reputação ou vendas.
Veja também como funciona a contabilidade para MEI da You, e a abertura e migração de empresa pra quem já decidiu sair do MEI. No blog, complementam o tema os artigos sobre como o Simples Nacional funciona pra e-commerce, os sinais de que sua empresa paga imposto demais e como organizar o fluxo de caixa no e-commerce depois que o negócio cresce. Acha que está perto do teto? Fale com a You.
Em geral é possível voltar ao MEI em anos seguintes, se o faturamento e a atividade voltarem a se enquadrar nos limites do regime. Não é um processo automático: é preciso pedir de novo o enquadramento no SIMEI, pelo Portal do Simples Nacional, em janeiro, até o último dia útil do mês. Se o pedido for aceito, vale desde 1º de janeiro daquele ano.
Em geral, não. O histórico de vendas nos marketplaces costuma ser preservado, já que o CNPJ costuma ser atualizado, não trocado do zero, na maioria das plataformas. Veja como funciona a migração da conta do Mercado Livre de CPF pra CNPJ.
Vale atualizar o cadastro fiscal da sua conta vendedora assim que a migração for concluída, pra manter a emissão de nota e o repasse de valores funcionando sem interrupção.
Sim, principalmente se você já sabe que vai crescer rápido, quer ter sócio ou precisa contratar mais de um funcionário. Migrar antes do estouro reduz bastante o risco de desenquadramento retroativo.
Não é uma decisão, é uma regra automática: o que define se o desenquadramento é retroativo ou não é o percentual de excesso sobre o teto anual, conforme explicado acima (até 20% ou mais de 20%).
Fontes oficiais (consulta em 23/09/2026)
- Teto, limite de funcionário e desenquadramento do MEI: Portal do Empreendedor / Portal do Simples Nacional / gov.br https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor
- Regras de desenquadramento: Portal do Simples Nacional https://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/
- Status das propostas de aumento do teto (PLP 67/2025 e PLP 60/2025): Câmara dos Deputados https://www.camara.leg.br/
- Anexo I do Simples e formatos societários (base legal): Lei Complementar nº 123/2006 e Lei nº 14.195/2021 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm