O que é fulfillment e como ele funciona no marketplace?
Fulfillment é o modelo em que você deixa parte do seu estoque guardado no centro de distribuição do marketplace. Quando o cliente compra, é a plataforma que separa, embala e envia o pedido. Alguns exemplos de programas desse tipo são o Full do Mercado Livre, o FBA (Fulfillment by Amazon) e as operações de centro de distribuição de outros canais. Cada um tem suas regras; aqui eles aparecem só como exemplo do modelo, não como regra oficial.
Para o seller, as vantagens costumam ser entrega mais rápida, melhor posição nos anúncios e menos trabalho de expedição. Em troca, aparece uma rotina fiscal nova: o produto sai do seu depósito, fica no armazém de outra empresa e só depois é vendido. Cada uma dessas etapas precisa estar documentada.
Se você ainda está organizando a emissão de notas no dia a dia, vale ler antes o nosso guia sobre como emitir nota fiscal vendendo em marketplace. O fulfillment é uma camada a mais em cima dessa base.
Por que a remessa para o Full não é uma venda?
Porque a propriedade do produto não muda. Quando você manda 100 unidades para o armazém do marketplace, elas continuam sendo suas. O marketplace só guarda e, depois, entrega. Ninguém pagou nada por elas ainda.
Na venda, a mercadoria passa para o cliente e gera receita. Na remessa, a mercadoria só muda de endereço. Por isso a nota fiscal de remessa para o Full não é receita e não deve entrar no seu faturamento. Se ela for emitida como venda, dois problemas aparecem de uma vez:
- Faturamento inflado: o valor da remessa soma como se fosse venda, e você pode pagar imposto sobre mercadoria que ainda nem foi vendida.
- Venda contada duas vezes: quando o cliente compra de verdade, sai outra nota, agora de venda, e o mesmo produto aparece duas vezes no faturamento.
No Simples Nacional, o imposto incide sobre a receita bruta, que é o valor total da venda (LC 123/2006, art. 3º). Remessa para armazém não é venda, então, em regra, não deveria compor essa base. O ICMS da remessa é outra conversa, e depende dos estados envolvidos, como explicamos mais abaixo.
Nota de remessa, nota de venda e nota de retorno: qual a diferença?
No fulfillment, três tipos de documento aparecem com frequência. Entender o papel de cada um é metade do caminho.
| Documento | Quando aparece | É receita? | O que documenta |
|---|---|---|---|
| Nota de remessa | Quando você envia o estoque ao armazém do marketplace | Não | A mercadoria saiu do seu depósito e ficou guardada com o marketplace, ainda sendo sua |
| Nota de venda | Quando o cliente compra um item que está no armazém | Sim | A venda ao cliente final, com o imposto da venda |
| Nota de retorno | Quando a mercadoria sai do armazém (fisicamente ou só no papel) | Não | A volta do produto ao seu controle, seja por retirada de estoque, seja de forma simbólica na venda |
Arraste a tabela para o lado para ver tudo.
Em alguns modelos, a venda de um item que está no armazém envolve, além da nota de venda, uma nota de retorno simbólico: o produto "volta" ao seu estoque só no documento, para então ser vendido por você. No Full do Mercado Livre, por exemplo, a central do vendedor informa que, a cada venda, o emissor da plataforma gera automaticamente a NF-e de venda e a NF-e de retorno simbólico. Esse encadeamento é o que deixa o estoque do armazém e o seu estoque contábil batendo.
Quem emite cada nota no fulfillment?
A nota de remessa
A nota de remessa sai em nome da sua empresa, porque é você quem manda a mercadoria, e acompanha a carga até o centro de distribuição. No Full do Mercado Livre e no FBA da Amazon, quem gera essa nota é o emissor da própria plataforma (no Full, usar o Faturador do Mercado Livre é obrigatório), com os dados fiscais que você cadastrou. Em outros modelos, você emite no seu emissor, e cada marketplace publica na sua central de ajuda as informações que precisam constar (endereço do armazém, dados do destinatário, observações).
A nota de venda
Quando o cliente compra, a nota de venda sai em nome da sua empresa, porque a venda é sua. No Full e no FBA, o próprio marketplace emite essa nota por você, usando os dados fiscais que você cadastrou; em outros modelos, a plataforma integra com o seu emissor. Mesmo quando a plataforma emite, a responsabilidade pelos dados fiscais do cadastro continua sendo sua.
A nota de retorno
Quando você retira produtos do armazém, ou quando o modelo exige o retorno simbólico na venda, entra a nota de retorno. No Full, o emissor do Mercado Livre gera o retorno simbólico da venda e também notas em casos como extravio ou envio de menos unidades do que o declarado. Na retirada de estoque, quem emite e com qual código depende do fluxo da plataforma e do seu estado, então confira na central de ajuda e com o contador.
Fonte oficial: Central de Vendedores do Mercado Livre ("Como emitimos as suas Notas Fiscais nos seus envios do Full" e "O que devo fazer para emitir NF-e no Full?"), Central de Treinamento FBA da Amazon (Faturador da Amazon) e a legislação do ICMS do seu estado e do estado do armazém (Sefaz).
Qual o CFOP e como fica o ICMS na nota de remessa?
O CFOP é o código que diz ao fisco que tipo de operação aquela nota representa: venda, remessa, retorno, devolução. Na nota de remessa para armazém, ele precisa indicar que é uma remessa para depósito, e não uma venda. O código muda se o armazém está no mesmo estado que você ou em outro estado. Na tabela oficial de CFOP, a remessa para depósito fechado ou armazém geral é 5.905 (mesmo estado) ou 6.905 (outro estado), e o retorno tem códigos próprios, físico ou simbólico. Só que nem todo centro de distribuição de marketplace se enquadra como armazém geral, e o enquadramento muda o código. Por isso o CFOP certo sai da regra da plataforma e do seu estado, não de um modelo pronto.
Sobre o ICMS, o tratamento depende do tipo de armazém, dos estados envolvidos e das regras que cada Sefaz definiu para operações com marketplaces. Pode haver situações sem destaque de imposto na remessa e situações com destaque, inclusive em envio para outro estado.
Por isso, aqui não vale copiar a nota de outro seller ou o modelo de um vídeo da internet. O que funciona para uma loja de São Paulo mandando estoque para um armazém em São Paulo pode estar errado para uma loja de outro estado mandando para o mesmo armazém.
Qual valor colocar na nota de remessa?
A nota de remessa precisa ter um valor para as mercadorias, mesmo não sendo venda. O mais comum é usar um valor ligado ao custo da mercadoria, e não o preço de venda do anúncio, mas a base exata depende da regra do estado e da orientação do contador.
Alguns cuidados valem em qualquer caso:
- use o mesmo critério em todas as remessas, para o estoque contábil não oscilar sem motivo;
- confira se quantidade e código de cada produto batem com o que foi agendado na plataforma;
- mantenha o NCM correto do produto, o mesmo usado nas notas de venda;
- guarde o XML de cada remessa, porque ele é a base da conciliação do estoque depois.
O que fazer com estoque parado ou devolvido no armazém?
Nem tudo que vai para o armazém é vendido. Produto que gira pouco pode começar a gerar tarifa de armazenagem, e a plataforma pode pedir que você retire o excesso. Também existem devoluções de clientes que voltam para o centro de distribuição, e produtos avariados que a plataforma devolve ao seller.
Cada movimento precisa de documento:
- Retirada de estoque parado: o produto volta ao seu depósito com nota de retorno.
- Devolução do cliente para o armazém: a venda é desfeita com nota de devolução ou de entrada, e o item pode voltar ao estoque do armazém. No Full, quando o pacote volta ao centro de distribuição porque não foi entregue ao comprador, o emissor do Mercado Livre gera uma nota própria para isso (a NF-e de insucesso). O tratamento da devolução está no nosso guia de devolução e troca no e-commerce.
- Produto avariado ou descartado: precisa ser baixado do estoque com o documento e o registro adequados, que variam conforme o estado e a plataforma. No Full, em caso de extravio, o Mercado Livre emite uma NF-e de retorno simbólico.
Exemplo ilustrativo de conciliação do estoque
Os números abaixo são fictícios, só para mostrar a lógica. Uma loja envia 100 unidades ao armazém com uma nota de remessa. No mês, vende 60, recebe 5 de volta de clientes no próprio armazém e retira 15 que estavam paradas, com nota de retorno.
A conta do estoque no armazém fica: 100 − 60 + 5 − 15 = 30 unidades. Esse número precisa bater em três lugares: no painel do marketplace, no controle de estoque da loja e na soma das notas (remessa, vendas, devoluções e retorno). Se o painel mostra 30 e as notas dizem 45, existe alguma venda sem nota, algum retorno não documentado ou alguma remessa lançada errada. Achar isso todo mês é muito mais barato do que achar numa fiscalização.
Quais são os erros mais comuns na nota de remessa para o Full?
- Emitir a remessa como venda. Infla o faturamento e pode fazer você pagar imposto antes da hora e duas vezes.
- Copiar o CFOP ou o ICMS de outro seller. A regra muda com o estado de origem e o do armazém.
- Mandar o lote sem nota ou com quantidade diferente do agendado. A plataforma pode recusar o recebimento, e a mercadoria circula sem documento.
- Esquecer a nota de retorno na retirada de estoque ou no retorno simbólico, quando o modelo exige.
- Não conciliar o estoque do armazém com as notas e com o controle da loja.
- Deixar produto parado sem acompanhar a tarifa de armazenagem, que come a margem sem aparecer na nota.
- Achar que, porque o marketplace emite a nota, o problema é dele. Os dados fiscais do cadastro são responsabilidade do seller.
O que conferir antes de enviar estoque ao Full?
- Confirme com o contador o modelo da nota de remessa (natureza da operação, CFOP e ICMS) para o seu estado e o estado do armazém.
- Cadastre os produtos com NCM, código e unidade iguais aos usados nas notas de venda.
- Agende o envio na plataforma e emita a nota de remessa com a mesma quantidade agendada.
- Informe na nota os dados do armazém que a central de ajuda da plataforma pede.
- Use sempre o mesmo critério de valor nas remessas.
- Confira se as vendas do armazém estão saindo com nota de venda (e com retorno simbólico, se o modelo exigir).
- Emita nota de retorno em toda retirada de estoque.
- Concilie todo mês o estoque do armazém, o seu controle e as notas.
- Acompanhe as tarifas de armazenagem e retire o que está parado antes de virar prejuízo.
Como a You ajuda quem vende com fulfillment?
A You é especializada em quem vende online (veja o que faz um contador especializado em e-commerce). Para quem usa fulfillment, a gente define com você o modelo da nota de remessa, de venda e de retorno para o seu estado, confere se o emissor está configurado certo e concilia todo mês o estoque do armazém com as notas. Se você usa o Full do Mercado Livre, o FBA da Amazon ou outro modelo de armazém, isso entra na nossa contabilidade para e-commerce.
Em resumo: a nota fiscal de remessa para o Full documenta que o estoque mudou de lugar, não que foi vendido. A venda tem a sua própria nota, e a volta do produto do armazém pede nota de retorno. CFOP, ICMS e valor da remessa dependem do estado e do modelo da plataforma, então valide antes do primeiro envio. Quer enviar estoque para o armazém do marketplace com as notas certas? Peça seu diagnóstico gratuito.
Perguntas frequentes sobre nota fiscal de remessa para o Full
Sim. A mercadoria que vai para o armazém do marketplace precisa circular com nota fiscal de remessa. Ela documenta que o estoque mudou de lugar e continua sendo seu, e costuma ser exigida pela plataforma no recebimento do lote.
Não. Remessa não é venda, porque a mercadoria continua sendo sua. O faturamento acontece quando o cliente compra e sai a nota de venda. Emitir a remessa como venda infla o faturamento e pode fazer você pagar imposto duas vezes.
No Full do Mercado Livre e no FBA da Amazon, sim: o emissor da própria plataforma gera a nota em nome da sua empresa. Em outros modelos, a plataforma integra com o seu emissor. Mesmo assim, os dados fiscais do cadastro continuam sendo responsabilidade sua, por isso vale conferir tudo com o contador.
O CFOP precisa indicar remessa para depósito, e não venda, e muda se o armazém fica no seu estado ou em outro. Na tabela oficial, a remessa para armazém geral ou depósito fechado é 5.905 (mesmo estado) ou 6.905 (outro estado), mas o enquadramento do armazém de cada plataforma pode mudar o código. O tratamento do ICMS também depende dos estados envolvidos. Valide o modelo com o contador antes do primeiro envio.
Na retirada de estoque parado, o produto volta ao seu depósito com nota de retorno. Se for devolução de cliente, a venda é desfeita com nota de devolução ou de entrada. Em todos os casos, concilie o estoque do armazém com as notas todo mês.
Fontes oficiais (consulta em 23/09/2026)
- Nota fiscal eletrônica (NF-e), manuais, CFOP e legislação: Portal Nacional da NF-e: https://www.nfe.fazenda.gov.br/
- Legislação do ICMS e operações com armazém: Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (consulte também a Sefaz do seu estado): https://portal.fazenda.sp.gov.br/
- Ajustes SINIEF e convênios nacionais sobre documentos fiscais: CONFAZ: https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/ajustes
- Receita bruta no Simples Nacional: Lei Complementar nº 123/2006, art. 3º: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm
- Procedimento de envio ao fulfillment (referência de procedimento, não de regra fiscal): Central de ajuda oficial do Mercado Livre: https://www.mercadolivre.com.br/ajuda
- Procedimento de envio ao FBA (referência de procedimento, não de regra fiscal): Central de ajuda oficial da Amazon Seller Central: https://sellercentral.amazon.com.br/help/hub/reference/external/